Doze

julho 9, 2011

Enquanto almoçava, percebeu que ela lhe espreitava, como se quisesse dizer algo, mas não se atrevesse, talvez porque ainda não tivesse chegado o tempo. Mas sentia aquele olhar inexistente a observar seus atos, esperando o momento propício pra fazer o que deveria ser feito.

A cada dia ficava mais notável que não estava sozinho, e que não ficaria até o fim de seus dias, porque era aquele olhar algo inevitável ao passar do tempo, como uma irônica guarda-costas. E quando estava ali, almoçando, era o horário preferido a essa situação. Quando o Tenório ainda estava vivo, cão sempre companheiro, era notável aquela presença, quando o animal latia for do prumo de repente, olhando pro tempo. Mas agora, o bicho já descansando e imaterial, lhe restava pressentir ele mesmo aquela estranha presença habitual.

Mas Romero tinha a plena certeza de que não faltaria muito para o tempo em que aquele olhar cumprisse com algo ao qual não entendia muito bem, mas sabia irrefutável. E parecia preparado, já que há muito não se lembrava de algo que ainda restava por fazer. Por isso seguia almoçando, tranquilamente, quase se levantando pra colocar mais um prato à mesa.

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Onze

julho 2, 2011

O esquecimento já era algo tão infalível para Romero quanto chuva no fim de tarde em um verão, e com isso já era um grande acostumado ao apagar que o tempo atribuía à sua figura. Já não se lembrava de possuir amizades antigas, e mal se lembrava dele mesmo, em tempos antigos. Talvez porque não houvesse importância disso, e porque ligasse muito pouco a ser lembrado.

Mas nesses dias, por ironia dos intercruzamentos cotidianos, viu um velho do outro lado da rua, olhando de longe, atentamente, inerte feito uma estátua viva. Observou a cena, mas seguiu o passo, interrompido por aquele chamado desgastado e seco:

– Zé! Ô, Zé Romero!

E então se deteve, olhando pra trás e encontrando a boca de onde havia saído o chamado. A estátua viva agora se dirigia a ele, em passos atrapalhados, tentando atravessar a rua, o sinal já por abrir. Custou a reconhecer naquele velho a figura antiga de um amigo, deixado pra trás por meio dessas infelizes coincidências pelas quais a gente passa. Mas agora era um velho, assim como ele, Romero. Dois vultos cansados que a vida, de brincadeira, decidia colocar frente a frente, anos de histórias a serem atualizadas.

E então Romero, aquele ser já bastante morto em alguns pedaços de seu adentro, viu um reluzir de vida naquele que, um dia, tinha sido companheiro de tantas venturas, de tantas lembranças que lhe vinham agora de rajada. Mas antes de começarem, ficaram apenas olhando, admirando, um no outro, o que talvez buscassem todos os dias, em frente ao espelho, encontrar em si mesmos.

Dez

junho 4, 2011

Era mais uma manhã, e Romero sentiu aquele peso que lhe olhava constantemente, já há alguns anos. Mas já estava acostumado, e seguiu o dia como se fosse qualquer outro – e era.

Olhou pela janela do banheiro, e viu não mais que a luz opaca de um dia sem graça. E frio. Foi nesse exato momento em que se deu conta de que aquela dor, aguda e descansada, tinha retornado aos tendões dos pés. Romero já estava tão velho, e se sentia tão velho, que as dores se anestesiavam com o costume. E então, decidiu ficar aquele dia em casa, pois em dias frios não se vê mesmo muita coisa pela rua, e a graça toda de ir à rua consistia nisso: observar os detalhes desimportantes de cada elemento igualmente desimportante.

Mas aquela casa… aquela casa era composta de bastante mesmice pra que Romero não visse qualquer novidade expressiva nela – como uma pessoa com quem possamos conviver durante anos, e conheçamos, por isso mesmo, cada traço e característica suficientemente para prever quaisquer novos que possam surgir. E novidades previstas não são novidades, são adiantamentos do tédio que só a falta de mudanças é capaz de proporcionar.

Talvez fosse por isso que Romero se sentisse tão velho. Às vezes, conhecer e saber demais de algumas coisas nos faz incapazes de usufruir o bem-estar das descobertas. Era isso. Romero era como um Colombo desolado, ao perceber, com um mapa em mãos, de que o trabalho já estava feito.

E acabou ficando mesmo em casa.

Nove

maio 21, 2011

A dor nas costas. Sempre aquela, quando acordava, a companheira fidedigna que os anos lhe relegaram. Às vezes, Romero se lembrava de quando ela veio chegando, aos poucos, travestida de desconforto, pra no futuro se revelar um problema crônico.

Acaba que tudo em sua vida foi assim, meio crônico. Assim como o hábito de sentar-se sempre, naquele banco de praça, e olhar a vida em seus trejeitos mais íntimos e secretos. De início, se sentava para aguardar algum compromisso, ou para gastar tempo enquanto não chegava a hora de um afazer qualquer. Mas depois, o fato de ir sentar-se naqueles bancos (nem sempre o mesmo, já que não era o único a ter esse hábito) tornou-se um evento por si só.

Mas agora era apenas a dor na coluna, que diminuiria durante o dia, mas lhe acompanharia até a hora de novamente dormir. E muitas vezes ele se esquecia dela, ignorando-a feito um barulho irritante que, por ser contínuo, acaba se abstraindo no tempo e em nossos ouvidos. Talvez todas aquelas marcas do tempo, no espelho, também passassem pelo mesmo processo – a cada dia, semana, mês, passado cada advento irrelevante de sua vida, as rugas e os desgastes ficavam abstraídos em seus olhos, esses também plenos de desgaste.

Oito

maio 17, 2011

          Era como outro daqueles dias em que não convinha esboçar qualquer reflexão e as palavras – todas silenciadas no globo de seus olhos – tomavam apenas um formato sutil: trânsito de névoa e gelatina. No interior desta massa, espécie de sonho no momento em que se olha para nada, Maragojipe e Cafuringa conversavam. Uma hora aqui, contando vantagens; outra hora ali, inventando fatos. Seu Romero mal conseguia distinguir se o momento era de invenção ou conta e se admirava do quanto aqueles dois se entendiam, como numa bolha protegida da realidade.

          – Rapaz, foi eu saltar do ônibus – e eu saltei errado, um ponto antes ­– pra ele dá de testa lá na outra calçada – esse era o Maragojipe e daí já vinha um fenômeno que muito admirava Seu Romero: sempre que um dos dois iniciava uma história (seja por vantagem ou invenção) o outro imediatamente começava um rito de instigação pela curiosidade. Aí Seu Romero nunca saberia dizer se tratar de coisa legítima, por cumplicidade, ou leviana, por ser parte do jogo retórico.

         – E como foi isso? – indagou Cafuringa com cara e jeito de pessoa transtornada – Teve gente ferida? sangue demais?

          – Se teve sangue?! – retorquiu Maragojipe – pra mais de poças. E agora você imagina a minha situação ali, sozinho, vislumbrando a tragédia! Porque eu tava sozinho e a rua deserta, plena estrada, aquela hora do dia. Não conseguia nem me mover…

          – Mas então você ficou parado lá assistindo os outros se doendo?

        – Fiquei porra nenhuma, rapaz, que isso foi só de começo. Depois do baque inicial, eu parti pra cima da cena e (Deus me livre e guarde te contar!) de perto a cena era ainda mais medonha.

           – E por que isso?

           – Como “por quê?”?! Não falei que o ônibus virou?

           – Ô cacete! mas isso tu não disse!

           – E não falei que ele parou tombado de lado?

           – Nossa Senhora…

           – Eu tô te dizendo! e as pessoas tudo umas por cima das outras.

           – Mas o que foi que você fez, homem de Deus?

        – Não tinha mais o que fazer além de ajudar como eu podia. Só que os machucados eram muitos e, conforme o ônibus tombou, eles foram caindo uns por cima dos outros e daí era dente batendo em cabeça, costela em ferro solto, vértebra quebrada… triste demais, meu irmão!

           – Ah, eu imagino como deve ter sido. E o socorro chegou rápido?

      – Qual chegou? Chegou nada! Fiquei lá tratando de tudo praticamente sozinho mais uns dois ou três que se aguentavam melhor que os outros; inclusive ajudando uma dona que começou a sangrar demais e, quando foi ver, acabou entrando em trabalho de parto ali mesmo no local do acidente.

           – Que isso, homem? Cê tá brincando comigo?

           – Pela minha mãe mortinha que não!

           – Santo Pai! e aí, Maragojipe?

           – “Aí” que cê lembra da tia Juci?

           – A do lobisomem?

           – Essa!

         – Então, ela era parteira lá em Ladário e eu costumava observar de longe, levar água fervendo, fazer chá de erva cicatrizante…

           – E aí tu fez o parto?!

         – Não, não. Eu iniciei o processo, mas daí chegaram os bombeiros e concluíram o serviço. A pobre da moça não largava minha mão por um minuto sequer. Apego sentimental pós-traumático, entende?

           – Ah, claro! Ela deve ter ficado muito agradecida…

           – Tão agradecida que me disse que ia batizar o menino com meu nome!

           – Você não vai querer me convencer de que, além da senhora sua mãe, mais alguém na face da terra teve coragem o suficiente e a desventura intelectual de pôr o nome do filho de Maragojipe, né?!

          – Não, não, isso jamais…

          – Ainda bem!

          – … porque nasceu menina.

          Cafuringa fez olhos de desdém: – E qual o nome?

          – Mara.

        E isso eram, no máximo, dez minutos em dedo de prosa que Seu Romero acompanhava de longe com seus bons ouvidos. O fazia ora com distração, ora pensando em como podia ser estranho poder refazer a vida inteira ou partes dela a partir de uma verdade inventada.

Sete

maio 14, 2011

          Tem vezes que Seu Romero acorda como se fosse outro tempo, meio que renovado. É como se um jato de energia lhe inflasse os ânimos e levasse embora os anos passados, deixando apenas aquele Romero que tinha sido – um jovem que apenas conseguia imaginar, de um jeito vago, o velho que seria agora.

         Porque ser velho é uma merda, Romero sabe. O papo de que a terceira idade só trazia doces bens caiu por terra em sua vida a partir do momento em que a alcançou. São as dores, as fraquezas, os remorsos, o desânimo, tudo o que torna a sabedoria adquirida um mero sobressalente na traseira de um carro usado. É por isso que sente uma grande saudade de si mesmo, ainda que não se desapegue desse seu ser desengonçado por nada nesse mundo.

        E quando Seu Romero olha um jovem na rua, tenta adivinhar aqueles pensamentos bestas que se tem quando não se sabe de muita coisa. Chega a ser engraçado pensar que os pensamentos bestas se foram, e que ele continua sabendo de bem pouca coisa, mas é assim. Se não fosse, não seria.

Seis

maio 11, 2011

          – “São apenas rugas. É apenas a lentidão do organismo voltando e se remoendo dentro de um passado para o qual você pensa voltar. Voltar às origens, reviver o ventre e se desmantelar da ordem abismal e incoerente da vida”. Sim. É possível pensar dessa forma, Romero, romantizar e batizar tudo de uma forma esperançosa, chamar de “ciclo da vida” como se alguma coisa restasse no fim desse mesmo tudo, mas veja bem, meu velho: sou eu! É a morte que acontece desde o início. Sou eu quem desdenha do nascimento falacioso de tuas unhas e teus cabelos enquanto a carcaça pútrida exala o odor que lhe imponho. Sou eu quando seus joelhos reclamam; quando você chora de saudade, é por aqueles que descansam hoje embaixo das minhas asas e hoje são apenas figuras nebulosas divididas sem identidade e sem nada. Mãe, pai, infância e amigos. Tudo morre, Romero, e neste exato momento amadureço em tuas carnes.

          Era constante esse tipo de sonho de alguns anos pra cá. Seu Romero não costumava pensar muito na morte quando acordado. Reservava lugares de luxo à memória e à contemplação ao mesmo tempo desinteressada e atenta das coisas triviais. Mas o espaço do sono se tornava uma reserva de meditação sobre o final e muitas vezes pensou que, sendo a morte um sono eterno, talvez esta lhe quisesse convencer do fato ou acostumá-lo a isso mais cedo.

          O velho levanta, esfrega os braços. Seus dedos frios causam um pequeno arrepio em seu corpo quente debaixo da coberta. – Ainda estou vivo! Mais um dia! – Pensava. E, de frente pro espelho, as fotografias penduradas escondiam alguma coisa de estranho em seus olhos. Alguma coisa que, mesmo parada, ali no borrado do antigo registro, cismava em mirar com dinamismo sem fim, quase hipnótica mensagem e Seu Romero pareceu ouvir uma voz que vinha de dentro do sono dizer pelos olhos da foto:

          – Eu já estava aqui, Romero! Só você envelheceu!

Cinco

maio 7, 2011

          Era uma sensação estranha, que sentia às vezes, do tempo recaindo sobre seus sentidos como se estivesse suspenso por alguns lances e, de repente, desabasse com todo seu peso. E nesse momento, se sentia um velho, profundamente incapaz de levar qualquer coisa nova aos outros, e a si mesmo. Isso porque Seu Romero já é um senhor com idade que muitos poderiam chamar de avançada, mas é muito difícil pra qualquer um ter a noção real do que se é, a não ser pelos fatos e pelos demais.

      E isso tudo porque, de relance, viu passar a Miriam, aquela bonequinha que tanto lhe encantou um dia, com aqueles olhos vivos e, ao mesmo tempo, serenos – levou muito tempo de sua juventude com a lembrança daquela figura, e às vezes, ainda hoje, a imagem de Miriam lhe atingisse em cheio em um momento de franca distração das ideias. Mas como há certas coisas que, embora óbvias, nossa consciência não tem capacidade de esperar concretamente, Seu Romero sentiu o passar do tempo através da visão daquela imagem de sua recordação que, como ele próprio, tinha sofrido vastamente a ação dos anos. Era ela, Miriam, mas ao mesmo tempo era como se ela fosse um quebra-cabeças de peças perdidas e repostas, o qual restasse ainda das peças antigas apenas aquele olhar e uns traços da boca.

          E Miriam passou de relance. Seu Romero pensou até em chamá-la, mas acabou não chamando, sem entender ao certo o porquê. Talvez, se a tivesse chamado, ouviria da boca dela aquela voz de antigamente, com novos timbres, um “Zé, é você?”, com o mesmo espanto que ele teve ao vê-la passar. Porque tampouco ele era aquele Zé, das lembranças que ela poderia ter. Era um velho. Um quebra-cabeças de peças perdidas e repostas.

Quatro

maio 4, 2011

           – Meus disco, ladrão fadaputa!

          Aquele era o início de mais uma das intermináveis discussões entre o Doutor e aquela figura tarimbada e conhecida como “Doido dos Discos”.

          Seu Romero, que acompanhava de longe o começo da pinimba, sentado em um dos bancos da praça, já conhecia bem a trama dos contantes arranca-rabos entre aqueles dois: o Discos tinha esse apelido devido à sua mania de carregar um aglomerado de discos de vinil, pra onde fosse, muitos deles suficientemente arranhados e avariados pra que não servissem a coisa alguma – o que não fazia grandes diferenças, já que esses discos eram suas únicas posses, o que significava que não tinha lugar nenhum pra rodá-los.

          Pois claro que, sendo morador de rua, os discos invariavelmente desapareciam, sendo obra do bom trabalho da COMLURB ou do furto de algum outro mendigo das redondezas. E Discos sempre tinha a convicção de que o Doutor invejava muito sua questionável coleção de vinis, motivo pelo qual acreditava sempre que era ele quem os roubava, em um momento de distração.

            – Não roubei nada, seu doido materialista!

           Discos ia pra cima do Doutor com energia, vociferando a habitual ininteligibilidade das suas palavras, das quais só se identificavam os palavrões e a constante “disco”. Já de praxe, se aproximavam os policiais de uma cabine próxima, observando a confusão e torcendo que não precisassem intervir, como vez e outra acabavam tendo de fazer. Os mais desavisados sempre assistiam à cena assustados, mas quem já era dali conhecia as peças, e por isso Seu Romero observava, tranquilo, tentando imaginar o porquê de, pela trocentésima vez, terem levado os frangalhos de discos do pobre infeliz.

Três

abril 30, 2011

          ‒ É o mal do pensamento, Seu Mero. Todo mundo sofre disso e não há como negar. Eu sofro deste mal, o senhor sofre deste mal, a humanidade inteira anda sofrendo com isso e Platão ainda ontem esteve comigo, zombando da minha cara quando eu disse que tinham sim que dar cicuta também a ele e ao Aristóteles. Depois vem os outros e me chamam de doido… pois eu sou mesmo e a culpa não é minha, entende?! O senhor eu sei que me entende porque também pensa. Ah, que eu disse tudo na cara dele, o senhor viu?

          A paciência era ainda um dos efeitos da falta do que fazer e da resignação pela observação e escuta que sustentavam Seu Romero ali, calado, distante e ao mesmo íntimo daquela figura traparenta e aguda que, vez em vez, o abordava sempre com uma nova teoria, sempre alguma coisa bem construída entre a insanidade e um desejo de vida incoerente para os desajeitados da rua. Como fora solicitado na pergunta, respondeu:

          ‒ Platão já está morto, Doutor.

         ‒ Exatamente! Porque eu estava lá e pus cicuta na bebida dele. Deixa ele gozar agora do mundinho supraceleste e tomara que não exista nem Deus, nem Diabo e nem realidade nenhuma porque vai que ele arruma um jeito e acaba com o céu?! com o inferno… Nossa mãe! tanta gente precisava ir pro inferno que eu nem faço as contas. Tem o Julio, a Soraia, Betinho, Farofa, Tonho, Miolo, Baiana, Ciro, Manco, Geladeira, Cafuso…

          ‒ Peraí! ‒ Interrompeu, Seu Romero! ‒ Essa gente toda precisa ir pro inferno?

          ‒ E com bastante pressa, meu velho. E com bastante pressa! ‒ Respondeu Doutor com ênfase na bastante pressa.

       ‒ E se agora que você matou Platão ele descobrir que há, de fato, céu e inferno e conseguir acabar com tudo? E se ele conseguir? O senhor terá acabado com praticamente todas as religiões. ‒ Seu romero não podia resistir a dar corda…

         ‒ Pro diabo com as religiões! Se era essa exatamente minha intenção… foi tudo de caso pensado, Seu Mero. Eu comprei a cicuta já sabendo que minha artimanha não podia falhar. Acabar Platão e a crendice idiota de uma vez. Dois coelhos numa cajadada só, hein?! Pro diabos com as religiões, é ou não é?!

          ‒ Bem… ‒ Era impossível, impossível resistir ‒ … se Platão realmente conseguir o que o senhor Doutor bem parece querer que ele consiga, de fato, ninguém mais vai poder ir ao diabo com as religiões, né?!

         ‒ Força de expressão, meu velho, força de expressão. Imagine só! Todos os códigos morais e religiosos, todas as crenças absurdas indo por água abaixo e as pessoas finalmente percebendo que a genuinidade da vida está aqui fora, conosco. Sem leis, mas sem anarquia. Enfim, alguma coisa que traga igualdade e force a cabeça do homem pela primeira vez em séculos e séculos! O que o senhor acha?

          ‒ Acho bom… acho bom! ‒ Dessa vez Seu Romero não estava brincando.